terça-feira, 17 de março de 2009

gostos não se discutem, é mais do que verdade. isto no sentido em que cada um gosta do que gosta e é por isso que o mundo não cai.

eu gosto de corridas de toiros à portuguesa. não discuto isto com ninguém e, assim como respeito quem não gosta, gosto que respeitem que eu gosto.

eu não acho piada a corridas de fórmula 1. fazem-me lembrar as tardes de verão e de calor intenso, passados a brincar no fresco do patim, com aquele barulho de fundo irritante.
não é por não gostar de fórmula 1, no entanto, que vou dizer qualquer coisa do género é bem feita o ayrton senna ter morrido, porque aquilo não são velocidades para se conduzir.

ontem faleceu o francisco matias, forcado do grupo de forcados amadores de portalegre, depois de, no sábado, ter sido colhido por uma vaca, num treino na praça da esperança.
as pessoas não são obrigadas a gostar do que quer que seja, pelas mais variadíssimas razões. mas ter lido, como li é bem feito para não andarem a maltratar os animais, é uma coisa que chega a roçar o ridículo e que me deixa mal disposta.
conhecia o francisco de ele ser colega da A. e da C., não era meu amigo. still, quando vi que tinha sido ele o forcado que havia falecido, não deixei de ficar sem forças e tonta. o meu dia na vct terminou quando tive conhecimento de quem se tratava. iria ficar muito triste mesmo que tivesse sido outro forcado que não conhecesse, mas ao ser alguém que me era mais do que familiar, fiquei muito transtornada.

é o segundo forcado do grupo de forcados amadores de portalegre que morre em praça. o primeiro foi em 98, na praça do campo pequeno. chorei como há muito não chorava. chorei por ele, pela sua família, chorei pelo K., que estava completamente desolado.

ainda me lembro da sensação angustiante que é ver alguém que nos é querido a cair em praça. ainda me lembro da angústia de vê-lo com o coração nas mãos por alguém a quem uma pega não correu da melhor maneira.
mas lembro-me da sensação que ele me transmitia quando tudo corria bem. lembro-me do olhar confiante e do sorriso que me lançava, já que não me podia lançar as flores que recebia.
ao mesmo tempo que estou com um nó na minha garganta pelo francisco matias, não deixo de me sentir aliviada pelo dia em que o K. decidiu arrumar a sua farda.


8 comentários:

Mnemósine disse...

Eu não gosto nada deste género de espectáculo mas pelo menos sei que, de todos, os forcados são certamente aqueles que menos maus tratos provocam nos bichos. E dizer que é bem feito que alguém tenha morrido é das coisas mais tristes para quem o diz.

Alexandra disse...

Não dizendo que gosto de corridas de touros, não é algo qu eme choque. Vejo, sem qualquer problema, mas não sou seguidora nem apoiante ferrenha. E se há coisa que me enerva é quando os forcados fazem as pegas. Fico numa nervoseira, grito 'Sai daí páááá!' e coisas do género porque me faz nervos eles porem-se ali a frente do touro.
Acho simplesmente nojento alguém fazer um comentário desses. É de uma falta de respeito inominável. Sinceramente.
Fiquei triste por saber que morreu o Francisco. Não que o conhecesse ou algo do género mas sim porque morreu de uma forma que me choca. Enfim.. Que descanse em paz.

*

hothotheart disse...

nao deixa nunca de ser triste

Joaninha disse...

Ainda hesistem muitos ignorantes a dizerem bacoradas como essa do "é bem feito para não andarem a maltratar os animais"...mas enfim infelizmente não podemos mudar a nossa sociedade! Estou triste por ele também e espero que descanse em paz!

disse...

Eu sou ao contrário. Gosto de corridas de fórmula 1, mas não de corridas de touros.
A tradição não é deculpa, nem é só pelo cliché do maltratar o anuimal,. Não me parece que faça sentido. Tradição também era as mulheres ficarem em casa enquanto o homem ia trabalhar, se quisermos ver as coisas desta maneira.

Contudo respeito. Quem gosta e quem pratica. Não posso deixar de achar que a partir do momento que entram na arena tem de saber lidar com as consequências.
Mas uma vida humana, não merece um comentário tão desumano como esse que foi feito. "Bem feito" é ter consciência das pessoas que sofrem e não aproveitar um acontecimento triste para fazer campanha anti-touradas.

Um gajo qualquer... disse...

Força para ti e para todos aqueles que com ele conviviam...

Beijinho

A mais velha disse...

Também sou do grupo dos que não morrem de amores de corridas de touros, touradas e fenómenos do género.

Penso que as pessoas que praticam este tipo de actividades, como muitas outras (desportos radicais, etc.), estão a envolver-se num risco que é totalmente consciente e voluntário. Ainda assim (ou por ser assim), escolhem-no. É por isso que encaro estes acidentes não como "é bem feito", mas como alguém que abandona uma vida de perseguição de sonhos. Custa-me a crer que alguém seja forcado só porque "não há mais nada"; pelo contrário, é um tipo de actividade que apenas se desenvolve por gosto e muita vontade.

Por isso, mesmo discordando de qualquer ideia que esteja por detrás destas "brincadeiras" com os touros, lembro-te de que este teu conhecido Francisco Matias fazia aquilo de que gostava. E mais vale uma vida a curta a fazer o que se gosta do que uma vida longa de frustrações...

Rosa disse...

Que coisa tão estúpida para se dizer, de facto. Mas são daqueles comentários que devem vir de alguém tão "pequenino", que o melhor é ignorar.

De qualqer forma, e com todo o respeito pelos gostos de cada um, comparar, ainda que só de raspão, uma corrida de F1 com uma corrida de toiros... eh pá...